Onde estão as grandes oportunidades na cadeia produtiva de petróleo e como as pequenas e médias empresas podem aproveitá-las

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1 – Que produtos e serviços estão sendo mais procurados?

Somada às demandas atuais do setor, a exploração de novos poços aumentou a procura por praticamente tudo – de tecnologias de perfuração para grandes profundidades a serviços de jardinagem para novos prédios de escritórios.

2 – Além de empresas de petróleo, que outras companhias têm interesse no que as pequenas e médias empresas podem fornecer?

Companhias de toda a cadeia produtiva – sobretudo fornecedores de equipamentos e serviços para plataformas, estaleiros, refinarias e distribuição. Elas também precisam de uma lista enorme de insumos e serviços vendidos por pequenas e médias empresas, como limpeza, uniformes e até material de escritório.

3 – É preciso ter um valor mínimo de faturamento para ser fornecedor da Petrobras?

Não. Mas é necessário comprovar que será possível atender às encomendas no prazo. Também é necessário estar em dia com impostos e atender a uma série de outras exigências. Muitas vezes, um técnico da Petrobras visita a empresa para ver as instalações. Dos 50 000 fornecedores diretos da Petrobras, perto de 20% têm até 99 empregados e faturamento anual de 1,2 milhão de reais.

4 – Fornecer à Petrobras é o melhor caminho para entrar no setor?

Não necessariamente. Embora a maior parte dos investimentos e da demanda no setor venha da Petrobras, existem 76 empresas com licença para explorar petróleo no Brasil.

5 – Como ser encontrado pelas empresas do setor?

A Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip) mantém uma lista com mais de 2 000 fornecedores, dos quais 60% são pequenos e médios. A relação é consultada pela Petrobras e por outras operadoras, como Shell e Chevron, por seus fornecedores e por fornecedores desses fornecedores. Em parceria com o Sebrae, a Onip organiza encontros e dá orientações sobre como as pequenas e médias empresas devem se preparar para atender aos critérios rígidos exigidos pela cadeia.

6 – Quais são as principais demandas do setor?

É possível agrupá-las em quatro grandes grupos – mão de obra qualificada, serviços de logística, informação especializada e novas tecnologias. Para cada um há uma extensa lista de serviços e produtos que podem ser supridos por pequenas e médias empresas. Exemplos: Mão de obra – uniformes, capacetes e outros equipamentos de proteção, serviços especializados para pintura de estaleiros, montagem industrial, manutenção de caldeiras, oleodutos, gasodutos e barcos, consultoria em recursos humanos, treinamento para trabalhos em áreas confinadas e aulas de confeitaria para padeiros das plataformas, entre muitos outros serviços. Serviços de logística – transporte por barcos e helicópteros, vans e micro-ônibus, apoio para recepção de funcionários e executivos em aeroportos, softwares para escolha de rotas, serviços de manutenção, monitoramento de aviões e helicópteros. Informação especializada – estudos de composição de terrenos, averiguação e monitoramento de fauna marinha, estudos de contingência para derramamentos de óleo, incêndios e outros riscos. Novas tecnologias – desenvolvimento de materiais resistentesa alta pressão e variação de temperatura, simuladores para operação de equipamentos pesados.

7 – Há incentivos para as pequenas e médias empresas participarem da cadeia?

Sim. Agências de fomento, como a Finep, e o BNDES têm programas e linhas especiais de crédito (veja a lista no Portal EXAME PME: www.exame.com.br/ pme). Há, além disso, políticas de incentivo à indústria nacional. Para disputar as concessões dos blocos de exploração, as operadoras têm de contratar no mínimo 37% de empresas nacionais. A Petrobras compra 65% de insumos e de serviços de empresas brasileiras.

8 – Ainda dá tempo

de aproveitar tudo isso? Sim. Os especialistas dizem que a demanda continuará bastante aquecida durante os próximos cinco anos, pelo menos. Mas é preciso agilidade, pois a concorrência também tende a aumentar. Além disso, há um programa de pontuação da Petrobras que favorece os fornecedores mais antigos.

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Raquel Grisotto e Carolina França,
de EXAME PME